A autora Vera Ingrid Tarman, médica e escritora, em seu artigo para o Journal of Metabolic Health, apresenta uma perspectiva abrangente sobre a dependência de alimentos ultraprocessados, propondo um modelo de cinco estágios para compreender e tratar essa condição. A autora argumenta que, embora haja um reconhecimento crescente de que alimentos ultraprocessados podem ser altamente viciantes, há uma lacuna na discussão sobre a síndrome clínica da dependência alimentar e como ela progride ao longo do tempo.
Tarman baseia-se em pesquisas que demonstram que alimentos hiperpalatáveis, ricos em açúcar, gordura e sódio, podem produzir processos aditivos no cérebro semelhantes aos das drogas de abuso. Ela destaca as mudanças hormonais e neurobiológicas que ocorrem com o consumo de alimentos processados, incluindo alterações nos níveis de grelina, leptina e insulina, que podem contribuir para padrões de alimentação excessiva.
A autora propõe cinco estágios de dependência alimentar: pré-dependência, dependência inicial, dependência intermediária, dependência tardia e dependência em estágio final. Cada estágio é caracterizado por mudanças neurobiológicas específicas, particularmente no sistema dopaminérgico, e por comportamentos alimentares progressivamente mais descontrolados.
Tarman enfatiza a importância de adaptar o tratamento ao estágio específico da dependência. Nos estágios iniciais, intervenções focadas no controle inibitório e no equilíbrio hormonal podem ser eficazes. Nos estágios intermediários a avançados, a abstinência estrita de alimentos desencadeadores e suporte intensivo podem ser necessários. Nos estágios mais graves, podem ser necessárias intervenções médicas mais drásticas, como medicamentos para controle de desejos e até cirurgia bariátrica.
A autora conclui destacando a importância de reconhecer a natureza progressiva da síndrome de dependência de alimentos ultraprocessados para um diagnóstico e tratamento eficazes. Ela ressalta a necessidade de mais pesquisas clínicas para validar o modelo proposto e identificar as intervenções mais eficazes para cada estágio da doença.
Confira o artigo completo em https://journalofmetabolichealth.org/index.php/jmh/article/view/90