O Dr. Ben Bikman explica que o exercício físico, embora essencial para a saúde, é muito menos eficaz para perda de peso do que se costuma acreditar. Ele mostra que cálculos simples de gasto calórico — como imaginar que uma caminhada de uma hora “queima” 300 calorias — não se confirmam na prática porque o corpo compensa esse gasto reduzindo energia em outras funções metabólicas ou diminuindo movimentos espontâneos ao longo do dia. Em pessoas com maior gordura corporal, essa compensação pode chegar a 50%, fazendo com que uma sessão intensa resulte, na prática, em um déficit muito menor do que o previsto. Além disso, o exercício pode aumentar o apetite ao longo das semanas, levando alguns indivíduos a consumir calorias extras sem perceber, anulando o déficit criado pelo treino. Bikman destaca que essa resposta é altamente individual: alguns compensam muito, outros quase nada, o que explica por que programas de exercício produzem resultados tão diferentes entre pessoas que seguem exatamente o mesmo protocolo.
Apesar disso, ele reforça que o exercício é extraordinariamente poderoso para a saúde metabólica. A contração muscular permite que o músculo absorva glicose sem depender de insulina, reduzindo a demanda sobre o pâncreas e aumentando a sensibilidade à insulina por até dois dias após uma única sessão. Com treinamento contínuo, o músculo aumenta o número de transportadores de glicose, tornando o corpo mais eficiente no uso dessa energia. O exercício também reduz gordura visceral — mesmo quando o peso na balança não muda — e melhora marcadores decisivos de longevidade, como força muscular e condicionamento cardiorrespiratório. Estudos mostram que pessoas com sobrepeso, mas fisicamente aptas, têm risco de mortalidade semelhante ao de pessoas magras e igualmente aptas, reforçando que o peso corporal é um indicador pobre de saúde quando analisado isoladamente.
Por isso, Bikman recomenda priorizar o treinamento de força, com ao menos duas sessões semanais focadas em movimentos fundamentais como empurrar, puxar, agachar, dobrar o tronco e carregar peso. O exercício aeróbico deve ser visto como complemento para melhorar a função mitocondrial e a capacidade cardiorrespiratória, não como ferramenta principal de queima de gordura. Ele também sugere abandonar a obsessão pela balança e acompanhar medidas mais relevantes, como circunferência da cintura, força, qualidade do movimento, recuperação e marcadores clínicos como insulina em jejum.
Em essência, O Dr. Bikman reforça que o exercício não é sobre perseguir números na balança — é sobre construir um corpo metabolicamente mais eficiente, mais forte e mais preparado para a vida real. Quando você treina, melhora sua sensibilidade à insulina, reduz gordura visceral, fortalece músculos que protegem seu corpo contra quedas e acelera processos celulares que sustentam longevidade. Mesmo que o peso não mude, sua saúde muda profundamente. A mensagem final é clara e poderosa: exercite-se para ficar forte e alimente-se de forma inteligente para ficar em forma — é nessa combinação que o metabolismo floresce, a energia aumenta e o corpo finalmente trabalha a seu favor.
Confira o vídeo completo sobre o tema:
Se quiser saber como se alimentar de forma inteligente, confira a matéria https://www.metabolichealthbrasil.com.br/news/?url=de-ao-seu-corpo-o-combustivel-certo!