O Dr. Benjamin Bikman, renomado biomédico e professor de biologia celular, explica em sua palestra a importância fundamental da massa muscular para a longevidade, indo muito além da estética ou da performance física. Ele destaca que a manutenção da musculatura está diretamente ligada à sobrevivência e à proteção contra quedas, fraturas, doenças metabólicas e o aumento expressivo do risco de mortalidade, especialmente em idosos e pessoas com obesidade.
Segundo Bikman, à medida que envelhecemos ou acumulamos excesso de peso, nossos músculos perdem a capacidade de responder adequadamente a estímulos anabólicos como proteína da dieta e exercícios de resistência. Esse fenômeno é chamado de resistência anabólica. A sarcopenia (perda progressiva de massa muscular) é citada como um dos maiores preditores de morte precoce, superando até marcadores tradicionais como colesterol LDL.
Ele explica que a resistência anabólica se desenvolve principalmente por dois fatores: o envelhecimento e a obesidade — embora o sedentarismo acentue ambos. No envelhecimento, ocorre queda de hormônios anabólicos (como testosterona, GH e IGF-1), redução da sensibilidade celular a estímulos de crescimento, piora na entrega de aminoácidos e aumento de sinais inibitórios, como a proteína miostatina. Já na obesidade, o aumento do tamanho dos adipócitos impulsiona quadros de inflamação crônica e resistência à insulina, o que acelera a degradação dos músculos e prejudica sua manutenção.
O Dr. Bikman ressalta que o músculo é o principal local de captação de glicose e, portanto, essencial no controle do metabolismo e da sensibilidade à insulina. Com menos músculo, o organismo tende a piorar o controle glicêmico e aumentar a necessidade de insulina, levando a um ciclo de saúde metabólica ruim.
Estudos recentes apresentados pelo Dr. Bikman, como o de 2024 na Universidade de Maastricht, mostram que, mesmo em refeições com a mesma quantidade de proteína, o consumo de fontes animais (ricas em leucina) foi muito mais eficaz para estimular a síntese muscular em idosos do que proteínas vegetais. Assim, ele adverte que, em indivíduos com resistência anabólica, é crucial investir em proteínas de alta qualidade — principalmente de origem animal — e em volumes maiores, para ultrapassar o “limiar anabólico” do músculo mais envelhecido ou inflamado.
Ele também enfatiza que a resistência anabólica não é sentença definitiva: pode ser revertida, sobretudo com treino de resistência (exercícios de força) e abordagem nutricional adequada. O uso combinado de creatina, vitamina D, cálcio e ômega-3 pode potencializar a recuperação muscular. Por fim, Bikman deixa claro que para preservar a saúde muscular e metabólica, “ficar só na alimentação não basta”: é preciso se movimentar, resistir ao sedentarismo e desafiar o músculo regularmente, adaptando a intensidade à realidade de cada faixa etária.
Em resumo, o Dr. Benjamin Bikman defende que a preservação e o fortalecimento muscular são estratégias indispensáveis para o envelhecimento saudável, a prevenção do diabetes tipo 2, a autonomia e a qualidade de vida — e que a resistência anabólica, apesar de comum, pode ser enfrentada de forma eficiente com a intervenção correta.
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