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ULTRAPROCESSADOS: POR QUE DEVEMOS EVITAR!

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Crédito da Imagem: Design by Canva

No vídeo apresentado pelo nutricionista Henrique Autran, ele explora de maneira detalhada os perigos dos alimentos ultraprocessados para a saúde humana, baseando-se em evidências científicas e na classificação NOVA, desenvolvida pelo Dr. Carlos Monteiro e sua equipe da USP. Segundo Henrique, os ultraprocessados são formulações industriais constituídas por ingredientes refinados como açúcares, óleos, gorduras e aditivos químicos, que passam por diversos processos industriais como trituração, moagem e refinamento. Esses processos transformam alimentos integrais em substâncias altamente modificadas, criadas para garantir longa duração nas prateleiras e alta palatabilidade, mas que exercem efeitos extremamente nocivos ao organismo. O sistema digestório fica sobrecarregado com a rápida absorção dos carboidratos e açúcares presentes nesses produtos, gerando picos de insulina, aumentando a sensação de fome e estimulando o consumo contínuo desses alimentos.

Henrique destaca que os ultraprocessados contêm diversos aditivos químicos como conservantes, corantes e emulsificantes, muitos dos quais não possuem estudos conclusivos sobre sua segurança a longo prazo. Ele menciona o corante vermelho 5, que foi banido pela FDA devido à comprovação de seus efeitos cancerígenos, e enfatiza o "princípio da precaução", sugerindo evitar esses alimentos já que existem alternativas naturais menos prejudiciais disponíveis. Para fundamentar suas afirmações, o nutricionista apresenta um estudo conduzido por Kevin Hall, pesquisador do National Institute of Health (NIH), onde 20 participantes foram divididos em dois grupos: um com 80% da dieta composta por ultraprocessados e outro por alimentos in natura. Os resultados revelaram que o grupo que consumia ultraprocessados ingeriu em média 500 calorias a mais por dia, mesmo sem diferença na sensação de saciedade. Este grupo ganhou peso, enquanto aqueles com dieta natural perderam peso, mesmo podendo comer à vontade.

O impacto dos ultraprocessados na saúde pública também é abordado por Henrique quando ele menciona uma metanálise que relaciona diretamente esses alimentos a múltiplas doenças, incluindo problemas metabólicos, câncer, doenças cardiovasculares, respiratórias e até mesmo problemas de saúde mental. Citando dados brasileiros, ele revela que entre 13% e 21% da ingestão calórica média dos brasileiros provém de ultraprocessados. Como resultado, apenas em 2019, foram atribuídas 57 mil mortes a esses alimentos, representando 10,5% de todas as mortes no Brasil, superando os óbitos por homicídios (45 mil), acidentes de trânsito (30 mil), câncer de mama (18 mil) e câncer de próstata (15 mil). Henrique alerta para o risco de o Brasil seguir o padrão dos Estados Unidos, onde mais de 70% das calorias ingeridas são provenientes de ultraprocessados, um dos fatores que contribuem para a alta incidência de doenças crônicas naquele país.

O nutricionista enumera cinco mecanismos de ação que tornam os ultraprocessados tão prejudiciais: 1) seus atributos sensoriais os tornam fáceis de mastigar e engolir, reduzindo o tempo de consumo e prejudicando a comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro; 2) eles favorecem o consumo excessivo de calorias por serem ricos em carboidratos e gorduras, mas pobres em proteínas, causando o que ele chama de "diluição proteica"; 3) possuem baixa atividade de água ou hidratação, dificultando a saciedade; 4) não apresentam uma matriz alimentar natural como os alimentos integrais, o que leva à absorção mais rápida e desregulada; e 5) são desenvolvidos para serem hiperpalatáveis, estimulando o consumo excessivo sem proporcionar o feedback de saciedade que alimentos naturais oferecem.

Henrique enfatiza que não se trata apenas de uma questão calórica, mas também dos efeitos inflamatórios e oxidativos que esses alimentos causam no organismo, os quais não podem ser "queimados" com exercícios físicos. Ele exemplifica isso citando o caso do triatleta Lionel Sanders que, apesar de ser extremamente ativo fisicamente, desenvolveu pré-diabetes devido à sua alimentação rica em ultraprocessados. O nutricionista conclui que a retirada desses produtos da dieta é essencial para melhorar a saúde, prevenir doenças crônicas e promover longevidade. Ele reconhece a dificuldade em abandonar esses alimentos devido ao seu sabor agradável e potencial viciante, mas ressalta que sem essa mudança, continuaremos sofrendo com as doenças da modernidade como problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade e câncer.

 
Confira o episódio completo:
 
 
Confira a matéria sobre os estágios do vício em ultraprocessados e o guia prático com dicas para mudança de comportamento alimentar: